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A cozinha terapêutica no combate a depressão e ansiedade

Uma das formas de lidar com as doenças consideradas o “mal do século 21” está dentro de casa, mais precisamente na cozinha

Publicado em: 06/05/2021

A cozinha terapêutica no combate a depressão e ansiedade

Divulgação

A pandemia de covid-19, como todos sabem, trouxe diversos transtornos para a população. Nem todos, até agora, se acostumaram a conviver com os costumes e hábitos do “novo normal”. A convivência entre as pessoas, as relações, hoje, requerem distanciamento físico e isolamento social. Mudanças nada fáceis para quem não abre mão de trocar um carinho, um abraço e até mesmo se reunir com os amigos para uma confraternização em casa ou no bar. Pesa ainda ter de lidar com o medo da covid-19, com a dor da perda de familiares e amigos, com a necessidade de se reinventar no mercado de trabalho.Tem ainda estresse da rotina diária. Tudo isso impacta no equilíbrio emocional de cada pessoa - e cada um reage de forma diferente.

Nesses últimos meses todo mundo ficou sabendo de casos de amigos e familiares sofrendo de ansiedade e depressão. Talvez esses transtornos sejam as principais consequências psicológicas que a população mundial precisa lidar. A Organização Mundial da Saúde aponta que 10% da população mundial sofre de depressão e no Brasil cerca de 19 milhões de pessoas estão com transtorno de ansiedade.

Embora sejam doenças distintas, depressão e ansiedade, na verdade, caminham juntas. E uma das formas de combatê-las pode estar dentro de casa, mais precisamente na cozinha. A cozinha terapêutica tem sido uma estratégia gostosa adotada por várias pessoas para se desligar das preocupações e do estresse da rotina.

A nutricionista Kátia Souza destaca ainda um outro aspecto importante da cozinha terapêutica: a introdução de uma dieta saudável e balanceada,que traz inúmeros benefícios para a saúde. Isto porque a cozinha terapêutica estimula as pessoas a consumirem alimentos in natura. “O hábito de ir para cozinha ajuda as pessoas a se libertarem dos alimentos processados e ultraprocessados, que fazem. A cozinha terapêutica não ajuda apenas a mente, mas traz benefícios também ao corpo”, frisa.

Kátia presta consultoria para a rede de supermercados do Grupo Mateus - o que lhe permite observar que os adeptos da cozinha terapêutica começam a terapia na ida às compras, quando escolhem os alimentos que irão preparar ou procuram pelos ingredientes corretos. “Todos seguem uma receita, mas os segredos com as medidas de temperos e outros insumos para deixar os pratos mais saborosos e com um toque personalizado a pessoa aprende com a prática”,comenta. “As pessoas aprendem a inserir a quantidade correta de sal, óleo, gorduras e açúcar na comida - a substituir um ingrediente não tão saudável por outro que é saudável, como frutas”, prossegue a nutricionista.

“Eu costumo dizer que a gastronomia, o hábito de cozinhar, ajuda a pessoa a desenvolver inúmeras habilidades e o que gosto nisso é que as pessoas mudam de comportamento, elas passam a interagir melhor com as outras”, acrescenta Kátia.

Em síntese, o hábito de cozinhar permite o bem-estar e o autoconhecimento. O jornalista Marcus Ayres, 38, sabe disso. Há pouco mais de um ano, ele trocou o trabalho numa agência de comunicação para se dedicar a outros projetos profissionais que o permitisse passar mais tempo em casa. “A rotina era intensa, eu não tinha hora para chegar. As demandas chegavam 24 horas por dia, atendendo vários clientes. Estava num nível estressante, quase não tinha lazer”, lembra.

Coincidentemente, a mudança para o regime de trabalho remoto coincidiu com o início da pandemia e Marcus teve covid-19. Para evitar as crises de ansiedade que a doença causou,ele colocou em prática as receitas que aprendeu lá atrás, com a avó. “A cozinha virou a minha terapia. A minha avó costumava dizer que cozinhar é amar duas vezes, hoje eu acredito nisso”, definiu. “Enquanto preparo os pratos, crio receitas, escuto música. Tem todo um ritual! Depois compartilho o que aprendo e o que faço com a família, estreitamos os laços, melhoramos o nosso relacionamento”, ressalta.

“A minha mãe diz que faço ‘cozinha afetiva’ toda vez que arrumo a mesa para ela e eu jantar – e isso eu faço todos os dias”, comentou Ayres. “É uma cozinha saudável em todos os aspectos”, define. 

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