Como inovar em tempos de crise?

Especialistas indicam: “novo normal” deve incentivar uso cada vez mais frequente da tecnologia
1/5

Todo mundo já conhece o grande vilão dos nossos tempos: o novo coronavírus surgiu no mundo todo estabelecendo uma nova ordem, que obriga as pessoas a ficarem em casa e impõe o medo à maioria delas. Porém, assim como em toda crise, é preciso perceber quantas mudanças são positivas e, dessa lições, retirar grandes, importantes e inesquecíveis aprendizados. Um dos mais incontestáveis é o de que o trabalho no modelo home office, antes conhecido por poucos, veio para ficar. Outro se baseia na capacidade humana de se reinventar: com criatividade e inovação, é possível superar a crise sim, e ainda conseguir sair dela melhor do que se entrou.

 

Um exemplo disso é a nova forma de consumir, imposta pelo isolamento social, que impede a todos de sair livremente para ir às compras. “O e-commerce já é uma realidade nos países conhecidos como os mais tecnológicos do mundo, como Estados Unidos, Japão e China. Antes mesmo da pandemia, consumidores desses países já tinham o hábito de comprar on-line e receber onde escolher. No Brasil, temos muitas experiências incríveis desenvolvidas por diversas organizações, mas o consumidor mesmo, a maior parte ainda não está habituada ou familiarizada com essa modalidade”, atesta o administrador e especialista em empreendedorismo da Estácio São Luís, Diego Henrique.

 

Inovar significa arriscar, mas com todos os riscos muito bem calculados. O especialista, Diego Henrique, comenta que, muitas vezes, por receio de errar, as pessoas e as organizações deixam de colocar em prática uma ideia que pode ser revolucionária, além de positiva para os negócios. Porém, quando a necessidade de mudar bate à porta, aquela ideia que esperava as condições “ideais e perfeitas” para ser executada simplesmente passa a ser a única maneira de se manter em atividade e, assim, sobreviver no mercado.

 

“Feito é melhor que perfeito. Essa é uma máxima no mundo do empreendedorismo, que diz muito sobre a proatividade do empreendedor. Esperar, procrastinar ou adiar realizações são atitudes negativas, cujas faturas chegam nos momentos de crise, como o que a gente atravessa agora”, explica Diego Henrique, que dá um exemplo: uma loja física de roupas tem a possibilidade de oferecer aos clientes um provador móvel, que vai até a casa da pessoa ou onde ela estiver, por meio de uma plataforma semelhante ao delivery. “Às vezes, por não ser a única forma de vender, o responsável pelo negócio acabe deixando essa ideia de lado. Mas agora, que o comércio não-essencial está proibido de abrir as portas, seria uma saída interessante para não deixar o prejuízo se acumular até o fim desta quarentena”, sugere.

 

Supermercado on-line

 

No Maranhão, recentemente, o Grupo Mateus decidiu dar um passo à frente e inovar também. Com poucos cliques, os clientes escolhem os produtos que desejam, fazem o pagamento e, depois, recebem a mercearia, sem precisar sair de casa. A ferramenta que possibilita o serviço é a plataforma online “Super”, desenvolvida especificamente para o e-commerce, com opções de delivery e drive-thru. Por meio do aplicativo, os clientes podem comprar o que necessitam e receber as compras em casa ou optar pela retirada no próprio local.

 

“Nós já tínhamos na programação a implementação das vendas on-line no varejo, a exemplo do que já temos no atacado, por meio do Canto do Chef, e no Eletro, com o Mateus Online. Diante do cenário de isolamento social, dando mais uma parcela de contribuição à sociedade no combate à propagação da COVID-19, nós aceleramos os processos e conseguimos antecipar o lançamento do aplicativo”, ressalta o presidente do Grupo Mateus, Ilson Mateus.

 

O app “Super” pode ser baixado nas lojas de aplicativos de celulares e tablets gratuitamente. “A plataforma se baseia na necessidade e comodidade, atendendo tanto o cliente que precisa e gosta da experiência da compra presencial no supermercado, mas está sem tempo; quanto o que não gosta, mas precisa fazer compras. É prático e funcional para todos”, explica Ramon Veloso, criador do aplicativo.

 

O fisioterapeuta, Franklin Coelho de Sousa, já testou a ferramenta e disse ter ficado impressionado com a agilidade e a economia de tempo. “O aplicativo otimiza o tempo, a gente não enfrenta fila, é bem mais prático”, comentou o cliente, que levou menos de 5 minutos para receber tudo na mala do próprio carro, no drive-thru.

 

Startups

 

Em meio à toda essa crise imposta pela COVID-19 ao redor do mundo, o Brasil regulamentou o procedimento especial para a abertura da Empresa Simples de Inovação (Inova Simples), o que incentiva as startups e empresas que desenvolvem soluções inovadoras a realizarem os seus negócios. A desburocratização trazida pela nova legislação é uma oportunidade para essas empresas mostrarem a importância dos projetos que desenvolvem e como eles podem ajudar a população em momentos de crise.

 

“Startups com projetos de inovação voltados para a saúde, gestão pública, recuperação de empresas e análise de dados, por exemplo, são essenciais para o cenário vivido em todo o mundo hoje, inclusive no Brasil. E uma simplificação como essa, possibilitada pela nova normatização, vai incentivar os empreendedores”, destaca Júnior Mateus, CEO do Centro de Inovação Black Swan, em São Luís.

 

O expert defende o estímulo constante à inovação, com o reconhecimento de projetos criativos. “A crise é sempre uma oportunidade para alternativas impensadas. E em momentos como esse, todos se abrem a soluções ousadas, criativas, desenvolvidas, muitas vezes, por meio de ideias compartilhadas, inclusive entre concorrentes, ou mesmo por startups ou setores considerados pequenos”, comenta. Na visão de Júnior Mateus, a pandemia pode fortalecer o setor de inovação e as startups. “É a hora dessas empresas mostrarem do que são capazes e oferecerem soluções para o mercado”, reforça.

 

"As empresas que não abrirem as suas portas à inovação estarão fadadas a fracassar!", sentencia o especialista Diego Henrique, que ressalta, ainda: "o uso de mídias sociais, por exemplo, tem sido imprescindível na aproximação dos clientes com o negócio da empresa. Temos que acompanhar as mudanças, as transformações tecnológicas, os novos processos, para que possamos competir!".

 

Por fim, é preciso que se tenha em mente o equilíbrio entre realidade e otimismo, afinal, como já dizia o gênio Albert Einstein: “A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias”.